domingo, 25 de dezembro de 2011

TANGO CARIOCA

Quando chegaste entre sorrisos
e te sentaste à minha mesa,
tua figura era tão viva,
minha esperança, tão cansada!

O teu decote era insolente,
O teu vestido, estampado
em tons vermelhos, sensuais,
com transparências provocantes.

A tua face iluminada
irradiava pura vida,
era alegria que pulsava
que transbordava todo o bar.

Quando dançaste, arrebatada
pelos pandeiros e violas,
o teu requebro era magia,
te transformavas em cigana.

Tinhas o riso tão ousado!
Tinhas os olhos petulantes,
me fascinavas como eu fosse
algum menino sem vivência.

O teu olhar me cativava,
me transformavas em brinquedo,
que, qual criança inconseqüente,
tu usarias com desleixo.

O teu dançar contagiava
todos os homens e mulheres,
não parecias mais humana,
mas poderosa entidade.

Eu, indefeso, tão tristonho,
via teu brilho entre as luzes
do bar alegre e das estrelas,
que não brilhavam mais que tu.

Eu, destoando da alegria
daquela noite e tua dança,
fugi de ti, dos teus encantos,
porque temi ser devorado.


2010

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