domingo, 25 de dezembro de 2011

INUTILMENTE


Eu te fiz tantos poemas,
te mostrei toda a lindeza
de canções que mal ouviras,
de uma abelha a pousar.


Eu tentei te fascinar:
fui poeta, vagabundo,
anarquista, embriagado,
o herói que pude ser.


Fiz sentires a delícia
de um passeio pela noite
entre planos delirantes,
de sonhar sob o luar.


Nada disto no entanto
fez, na hora do abandono,
que calasses no teu peito
teu anseio de partida.

1995

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