domingo, 25 de dezembro de 2011

MARCO E JÚLIA (OU O VENTO DO TEMPO)


Marco Léo era paixão repleta de alegria:
Vivia uma euforia tão prenhe de luxúria,
Como se a razão da vida fosse Márcia Júlia
E suas ousadas transparências.

Vivia uma avidez tão tórrida e vibrante,
Como se sob a saia daquela deusa erótica
Fosse o próprio paraíso,
Os sublimes jardins do Éden.

Era um louco afã, entrega, só delírio,
Como se entre as pernas de sua Márcia Júlia
Fosse tudo simplesmente.

Quando os olhos dele pousavam nos da moça,
Se sentia assim como um filhote sem defesa,
Incapaz de sobrevida sem o peito, o colo
E aconchego maternal.

Mas um dia a moça viu que o mundo
Era imenso, era tão vário e cheio de surpresas,
Que ela precisava no mundo se atirar.
Ficou Marco sozinho, sem saber-lhe o paradeiro,
E, enlouquecido, murumurou por longos meses
O seu nome em noites brancas, tão insones...

Desolado, chorou como quem perde os braços,
Bebeu como dos homens o mais desgraçado,
Como se houvesse tudo pra ele se acabado.

Mas veio o tempo trazendo então consigo
O seu vento veloz e tão farto de coisas
E o poder de enterrar e mudar as paisagens,
E aí Marco Léo foi pouco a pouco levantando
Do caos e dos cascalhos da apatia e da dor.
De repente viu-se alvorecendo novamente,
E o dia que nele raiou era cheio de samba,
Era cheio de brilho, tão cheio de cores,
Graças ao tempo, que tudo cura, tudo muda,
Pode tanto com seu vento milagroso.

2010

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