domingo, 25 de dezembro de 2011

MEUS DIAS


Por que, negra, foi embora,
Se alumbrava meus momentos
E os fazia tão intensos
Como fosse o Universo
Todo feito de folia?
Por que, mulher, foi embora,
Se em mim cantava a vida
Como pássaros em bandos
No renascer das manhãs?

Que fez, negra, dos meus dias!
São noturnos os meus dias,
São tão tristes os meus dias,
Como notas de piano
Numa noite de inverno.

Por que você foi embora,
Se era doce, era tão bom
Quando em horas de carícias
Me chamava de "meu negro"?

O seu riso de encanto,
A lindeza do seu rosto,
Da nudez dos seus contornos...
Tenho já sua figura
Bem fincada na memória.

Sangro ao lembrar nossas noites:
Os lençóis, o seu perfume,
Nossos corpos se esfregando,
Com furor se devorando,
A carne louca, tão convulsa...
Faminta, sedenta, faminta de carne.

Logo, logo, os meus dias
Serão quietos e silentes,
Não terão qualquer cantiga,
Serão baços, incolores
Como tímidas manhãs
Despidas de toda alegria,
Sem nenhum sopro de vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário