domingo, 15 de novembro de 2015

ARTE DE AMAR

A pele branca e a pele negra numa febre da volúpia mágica,
A pele negra e a pele branca encharcadas do suor do cio humano,
A pele branca e a pele negra numa amálgama divina,
A pele negra e pele branca semeando mulatice,
A pele branca e a pele negra num fervor angelical.
Gemidos brancos, ais tão negros, vozes unas e mestiças,
Um corpo só, uma alma única, um gozo na grandeza absoluta.
Salvai, ó Deus, a alta harmonia dessas peles que se roçam na transcendental arte de amar.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

REBENTO AO PEITO

Se você me olhar qual moça enamorada,
com ar de quem suplica e ainda sonha,
serei suave assim como silente noite
somente maculada por acordes leves
que venham do longe pra nos comover.

Serei seu poema de amor infinito,
serei seu abrigo, aconchego e calor,
serei sua lira, dançarino e cantor,
brinquedo, ciranda, seu frevo e folia,
menino, seu pai, seu irmão, seu ardor.

Eterno até quando permita este mundo,
mas seu como os dedos e as palmas das mãos,
entregue aos seus olhos, seu corpo e su'alma,
serei seu pedaço, seremos um só,
serei qual rebento Ao peito da mãe.

A PRETENDIDA

Eu te quero cantiga da noite,
Mas da noite de entrega e alegria,
Exalando perfumes de fêmea
No ballet tresloucado do amor.

Eu te quero euforia dos dias
Como o vinho, que alegra, inebria,
Eu te quero suave doçura
Como a aragem das tardes de outono.

Teu sorriso é traquina e tão vivo,
É tão fresco e tão cheio de luz.
Tuas pernas morenas me atiçam,
Tua boca rosada é um ímã
Que a mim arrebata e seduz..

2013

sábado, 31 de agosto de 2013

LUCIANA

Deitaram-se na cama e Luciana lhe ofereceu os lábios ávidos.  Vestido curto, leve, solto, quase transparente,  preto com estampa de pontos brancos.  Guilherme ergueu o corpo da mulher e a sentou no colo, como fora ela um achado raro e precioso, um diamante, uma esmeralda, o bem maior do mundo inteiro.
Sabia que a moça era de se dar com facilidade, que tinha vários amantes e que jamais lhe entregaria a alma tão liberta e aventureira.  Sabia também que a não queria para si, pra todo o sempre ou alguns anos. Mas naquele momento a amava como o mais extremoso enamorado, como o mais possessivo dos machos existentes.  Porque a desejava... como a desejava! Ah, como a desejava!  Queria tanto desfrutar aquele corpo esguio e pálido, as pernas magras e roliças que há  tanto cobiçava, sentia tanto prazer em tê-la na cama, que o ardor parecia amor, entrega, sentimento fundo, suplicante e desvanecido.
No dia seguinte talvez Luciana fosse de outro, mas isto não importava ao homem, que era tão ávido e sôfrego,  que achava que o tempo não passaria, que aquele momento se eternizaria; que não tinha ciúmes, mas só desejo: um desejo de longo tempo, um desejo que não tinha medidas, um fogo que lhe abrasava o corpo inteirinho.
Levantou-lhe o vestido, deitou-a na cama, arrebatou-lhe a calcinha de renda e por pouco não lhe rasgou o escuro vestido.  Beijou-lhe a boca longamente inúmeras vezes,  sugou-lhe os seios, a língua, os lábios, a vulva e as nádegas, cheirou a mulher por inteiro: cada  milímetro do corpo e cada cavidade, e toda cavidade do corpo de fêmea, candente, adentrou.
Amanhã quem sabe outro a ela faria tudo o que ele agora fazia, mas pouco a Guilherme importava: hoje a mulher era dele; dele somente, e era na essência a mais pura magia: ninfa, deusa, valquíria, sereia, feminino demônio ou outra entidade, mas algo que em definitivo ao homem enlouquecia.
O  casal gemia, arfava, gozava, fremia, e tê-la consigo num ballet tão frenético,  entre frases tão quentes, obscenas palavras, lascivas carícias, era para Guilherme a conquista maior, a chegada ao paraíso, e este sequer se lembrava de algo que houvesse além do desejo, delírio, deleite, prazer inefável, esquecido do mundo, da vida, do ontem, do dia vindouro, que havia amanhã.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

MÚSICAS DE MARCELO BIZAR EM ALGUNS DE MEUS POEMAS


https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/meu-santo-ant-nio

https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/lirismo

https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/mineirinha

https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/vem-viver


Aqui você ouve '"MEU SANTO ANTÔNIO" ''LIRISMO", "MINEIRINHA" e "VEM VIVER", músicas nascidas de minha parceria com MARCELO BIZAR, compositor, cantor, instrumentista, escritor, meu colega de trabalho e amigo pessoal, que compõe com maestria e canta exibindo grande talento e primorosa interpretação. Peço que cliquem nos links (sem risco, não há vírus) e ouçam as canções, que ficaram magníficas.

Barão da Mata

quinta-feira, 25 de julho de 2013

DUETO DOS DESAMADOS

ELA:
Meu rapaz é tão menino,
E eu passei da flor da idade;
Me rendi aos seus encantos,
Ele, ao saldo no meu banco.

ELE:

Minha moça é tão bonita,
Tem a pele de veludo,
Somos unos, mas tão unos,
Que ela porta meus cartões.

ELA:

Sou às vezes tão materna,
Ele, tão, mas tão meu filho,
Que me pede um dinheirão.
Eu lhe faço juras líricas,
Ele fala em casamento,
Em seguro, garantias,
Com seus pés firmes no chão.


ELE:
Sou seu pai, mas tão seu pai,
Que ela vai até meus bolsos,
Retirando minhas notas,
Sai, me diz que volta logo
E só vem de manhã cedo,
Esgotada, embriagada,
Com perfumes masculinos.

ELA:
Eu lhe conto histórias lindas,
Ele conta os meus ativos.
Eu planejo mil viagens,
Ele, mil investimentos.


ELE:
Eu lhe falo em vida eterna,
Ela lembra que é preciso
Que eu invista num jazigo
E lhe compre um bem imóvel.

ELA:
Eu me pego tão criança
Em sonhar coisas românticas,
Eu o encontro tão adulto,
A falar em patrimônio.


ELE:
Eu divago, meio tolo
Me sentindo principesco,
E ela diz que é necessário
Garantir o seu futuro.

ELA:
Eu me nutro dos seus beijos,
Sou faminta do seu corpo,
Ele come a minha renda,
Tão voraz como um leão.


ELE:
Eu a faço inda mais bela,
Com vestidos, com ornatos
Que hoje fazem que me cheguem
Muitas cartas de cobrança.

ELA:
Eu me afundo em minhas dívidas,
A querê-lo eternamente,
Ele fica em suas dúvidas
De devermos prosseguir.


ELE:
Eu lhe conto meu desejo
De jamais nos separarmos,
Ela conta que no mundo
Nada pode ser eterno.

2013

AMOR MENDIGO

Ainda amo Janice,
Embora a danada me seja
Motivo de tanto chorar.

Ainda amo Janice,
Embora me tenha traído
Com todo o bairro onde moro.

Ainda amo Janice,
Embora ela me destroce
O coração por inteiro.

Ainda amo Janice,
embora eu tenha amargado
Seis meses de cela por ela.

Ainda amo Janice,
Embora se ria sempre
Que alguém lhe fala meu nome.

Ainda amo Janice,
Embora me tenha apontado
A porta da rua entre risos.

Ainda amo Janice,
Embora me tenha secado
Os bolsos pra todo o sempre.

Ainda amo Janice,
Embora me tenha o desprezo
Que só pelos vermes se tem.

Ainda amo Janice,
Embora esvazie por ela
Dois litros de cana por dia.

Ainda amo Janice
Com seu rosto inchado de álcool
E suas pernas arcadas.

Ainda amo Janice
E sonho co'a morte pra tê-la
Na outra vida após esta.

2013