domingo, 25 de dezembro de 2011

AMOR VERDADEIRO II


Venha, adoce o dia do seu verbo meigo,
Sua fala de criar cenários belos
E uma crença num futuro magnífico,
Amanhã repleto enfim de maravilhas.

Venha, abrace-me e aconchegue em seus carinhos,
No seu riso, nos seus braços delicados,
No seu ventre de mulher e seus suores,
No acalanto das palavras ao ouvido.

Venha e diga que a morte nada muda,
Que arderemos numa alcova do outro mundo,
Correremos pelos campos e riachos,
Num amor fogoso, amigo e sem final.

2011

COISA BONITA

Coisa bonita é mulher,
 Mulher se despindo ou vestindo,
 Soltando os cabelos ao vento,
 Jogando os seus olhos lânguidos
 Nos olhos de um felizardo.

Bonito é mulher andando,
 Fazendo dançar as ancas,
 Fazendo vibrar as nádegas,
 A encher de desejo os homens.

Bonito é mulhr sorrindo:
 Manhã, primavera súbita,
 História de amor eterno
 Ornada de orvalho e sol,
 Paixão sem medida ou siso.

Bonito é mulher falando:
 Desejo de a ter nos braços,
 Beijá-la por todo o corpo,
 Despi-la à luz de penumbra
 Da lua adentrando o quarto.

Bonito é mulher amando:
 A mim não ocorrem palavras
 Pra dar a medida exata
 E o nome das coisas que sinto,
 Que só quem traduz é o corpo
 E a  alma, jamais o  verbo.

O SENTIMENTO DENTRO DE MIM

O sentimento que tenho em mim
É tão sereno como os acordes
Das melodias enamoradas
Das noites calmas e enluaradas.

O sentimento que canta em mim
Parece pluma, saudade leve,
É sinfonia de querubins,
É  acalanto, relva,  jardins.

O sentimento que pulsa em mim
Tem a quentura de um aguardente,
Pura tequila, conhaque, gim,
É labareda, lábios carmim.

O sentimento que grita em mim
É queda d'água, é turbilhão,
Mar em ressaca, chuva sem fim,
Banda com turba, tambor, clarim
O sentimento que canta em mim,
Um sol candente dentro de mim.

2011
(Por favor, é BANDA COM TURBA [MULTIDÃO EM EBULIÇÃO] mesmo, não  TUBA [INSTRUMENTO DE SOPRO])                                 

A VOLTA POR CIMA OU A GLÓRIA POSSÍVEL

Não era nenhum poço de virtudes,
Mas se desmanchou de amores por ele,
Que  até nas pobres cobras conseguia dar rasteira ,
Que fazia que o maior dos maiores vigaristas,
Parecesse um santo ou um seminarista.

Ela era sedutora, era lasciva,
Mas só dava seu corpo ao felizardo
Que lhe tocasse  a libido fortemente
Ou gerasse uma pecúnia ou vantagem parecida.
Já o escroque se mantinha das amantes,
Que era um grupo de mulheres vário e muito vasto:
Mocinhas, matronas, menores e balzaquianas,
Maduras, idosas e as não muito genuínas,
Tudo lhe sendo motivo pra se dar a traições.

Quando a moça se sabia traída ou desprezada,
Desabava a sentir-se a  derradeira das mulheres
E se via morta em vida, se arrastava pela vida,
Se danava nos seus prantos e cervejas vagabundas
E pedia a todo santo que o tornasse um ser fiel.

Quando o homem lhe ligava madrugada,
Ela punha porta afora o amante eventual
E se dava ao seu "herói tão principesco"
Numa imensa e singular sofreguidão.

Ela tinha o nome dele num papel sob a calcinha,
Murumurava o nome dele nas noitinhas de silêncio
E acordava lhe avistando o rosto na memória,
E a miragem lhe era fonte de alegria e amor à vida.

Mas um dia alguém mandou o seu amado
Prestar contas dos pecados lá no mundo de São Pedro,
E ela então se viu tão louca e desolada,
Tão sem rumo e horizonte, tão sozinha e tão sem chão.

Hoje é membro muito assíduo numa igreja barulhenta
E casou com um sujeito mais velho vinte anos,
Pobre, troncho, fraco, moralista, autoritário,
E dedica-se ao mendigos e à palavra do Senhor.

2011

SENTIMENTO ESTRANHO

Sentimento estranho
o sentimento seu,
que se alimenta da distância,
do abandono, indiferença
e do desprezo meu.

Sentimento mais bizarro,
que goza sob as dores da tortura
e que sorri nos dissabores,
que encontra na aflição imensa
a sua fonte de energia,
que se nutre do que mata,
se sustenta de veneno..

Sentimento mais insano,
que, correspondido, empalidece,
protra-se, definha
e desfalece como mortalmente:
mas que, repudiado, acende,
cresce, aviva-se e floresce
em manhãs de primavera.
Sentimento estranho
o sentimento seu.

ADEUS

Adeus.
Ouvirei sua voz nos ventos,
Sentirei seu calor ausente
Nas noites de inconsolável tristeza.

Adeus.
Sentirei seu perfume leve,
Reverei o seu rosto belo
Onde você jamais estará.

Adeus.
Reviverei os momentos doces
Gravados na minha mente
E impossíveis de retomar.

Adeus.
Vou seguir tão somente a vida
Qual graveto ao sabor das águas,
Como um vulto perambulante,
Sem saber se pra sempre ou não.
Adeus.

AQUELA MOÇA

O que foi feito daquela morena
Que era bela como um poema,
Que tinha os olhos  negros e  meigos,
Que cantava como uma fada,
Que se dava como uma ninfa,
Que tecia emoções imensas
No meu peito de cantador?

Que foi feito daquela menina
Que me dava momentos belos,
Que sonhava um tempo de encantos,
Que erguia estâncias de sonhos
Que ornava de poesia?
Que amava as matas e ventos
Venerava a Mãe-Natureza?

O que foi feito daquela  moça
Que andava nua nos campos,
Que tinha uma voz de arcanjo,
Que tinha a pele como de índia,
Que tinha avidez no abraço,
Que tinha a aurora no verbo,
Que era um poema de amor?